Na Caverna da marta

A Marta faz parte do clube de mulheres maravilhosas que eu tenho o privilégio de conhecer.

Tem um blog com receitas saudáveis absolutamente deliciosas e de perder a cabeça. Confesso que não passa um dia sem que eu “chateie” a Marta para me trazer comida e fazer a minha barriguinha feliz!

Desta vez a Marta está a viver a sua 4 gravidez, e partilhou generosamente o seu testemunho comovente e definitivamente de coragem.

Visitem o blogue da Marta https://nacavernadamarta.com/receitas/ e espero que gostem do seu testemunho tanto quanto eu gostei

 

 

Gravidez
Cadeirinha de bebe

 

4º Filho- A descoberta

Pensei tanto em escrever sobre isto…que foram passando as semanas. Assim, este adiar, permite-me escrever de um lugar de tranquilidade e não de pânico.

São muitas as vezes que me dizem que sou corajosa! Pergunto-me se podemos ser considerados corajosos pela aceitação daquilo que não planeámos e que em dada altura achámos que não era, de todo, o que queríamos no momento.

 

Não sei se é possível alguém aceitar uma 4 gravidez sem pensar que não esta certo que que não devia de todo ter mais filhos. Mas se é…parabéns para quem consegue pois por aqui foi, ainda que por breves instantes, o fim do mundo.

Em menos de 1 hora vi desaparecer o sonho das viagens, valha-me o Covid que veio levar as de todos e assim não há cá invejas, da vida mais solta pela idade das “grandes”, do início da nova juventude com os filhos criados. Eu com 37, ele com (quase) 34 com a nossa liberdade de volta. Claro que essa liberdade é resultado da excelente rede de apoio que temos com as nossas 3 pequenas. Foi o fim da viagem à Tailândia com os amigos, da continuidade de viajar uma vez por mês para fora do país. E sim…foi isto que pensei, por mais egoísta que seja.

O segundo pensamento foi sobre a certeza de que a minha mais nova não queria mais irmãos. E não apenas um não querer normal, ela chorava sempre que se brincava com o assunto e ficava “tão danada” que não me olhava nos olhos durante horas. Como é que eu lhe iria dar este enorme desgosto?

Para piorar lembrei-me que a gravidez da mais nova foi péssima e que passei semanas internada. Lembrei-me da penosa diabetes, de todo o esforço que foi. Lembrei-me das 2 perdas gestacionais anteriores e da dor que, ainda hoje, sinto. Veio o medo e a angústia e claro…o amor gigante!

Aceitação. A palavra que define as 8 semanas de gravidez com que estava. Medo da perda e medo dos olhares, dos comentários de uma sociedade que não está preparada para grandes famílias. Decidi esconder o mais que podia, para ter tranquilidade para me conectar a este mini ser que precisava mais de mim do que qualquer outra pessoa no mundo. Vivi a primeira fase em reestruturação interior. Revi todos os meus objetivos, alterei planos e até a pandemia surgiu para me obrigar a parar, algo tão necessário numa gravidez de risco.

 Vivemos isto primeiro para nós. Aliás pela primeira vez vivi o momento do teste apenas eu e o pai! Num ambiente de descrença, em que o teste era feito por descargo de consciência, mas com a certeza de que era IMPOSSÍVEL estar grávida. Ele a preparar o almoço…eu a deixar o teste na bancada e a ir por a mesa…e ao passar o momento em que virei o teste 20 vezes ao contrário ao ver a primeira risca a aparecer mais carregada que qualquer uma vi na vida! O meu pânico contrastado com a calma dele. A minha vontade de comprar mais cem testes com a certeza dele de que a resposta estava ali, a tensão baixa era apenas o meu corpo a abrandar para gerar uma vida. E assim num momento que marcará para sempre a nossa história vos deixo a foto, nunca antes partilhada, do momento em que ambos percebemos que a vida ia mudar ainda mais e que precisávamos trocar de carro!