Gravidez #4: Comunicação no casal

Gravidez

Neste Podcast conversamos sobre emoções durante a gravidez e como a comunicação entre o casal tem impacto no bebé que está a caminho.

 

Às vezes, pensamos na gravidez como um momento em que só a mãe tem uma ligação única com o bebé. E essa ligação é certamente especial. No entanto, não são só as emoções da mãe que passam para o bebé durante a gravidez. Sim, o pai também entra nesta equação. Apesar de não estar fisicamente grávido, é parte ativa da gravidez. Por isso, a consciência emocional de ambos durante a gravidez é extremamente importante.

 

Na conversa com a Cátia Pereira, a fundadora da Vínculos Seguros, falamos sobre emoções, como lidar com elas e a importância de assumir a responsabilidade pelas nossas emoções, não só durante a gravidez como na vida. Portanto, a questão que se impõe é: como fazer uma gestão mais equilibrada entre o lado prático e o lado emocional da gravidez? Assiste à conversa e vê o que faz sentido para ti: Podcast Espaço Seguro #4: Comunicação no casal durante a gravidez.

 

Ligação emocional durante a gravidez

Então, mas o que é que significa ligação emocional durante a gravidez? Nas palavras da Cátia Pereira, nesta fase da gravidez, “o convite é conseguir equilibrar o lado mais prático com este lado emocional que muitas vezes é esquecido e deixado para último, mas que depois é aquele traz mais convites e desafios no parto, no pós-parto, nos primeiros anos de vida quando as crianças começam a manifestar comportamentos mais desafiantes”.

 

Na experiência da fundadora da Vínculos Seguros, “de uma forma muito generalizada, a tendência é ir mais para o lado prático, porque as grávidas e os próprios pais não sabem como lidar com este lado emocional” durante a gravidez e na vida em geral. Aliás, esta dificuldade surge desde logo porque, na nossa educação, a grande maioria de nós não foi educado a saber lidar com as emoções.

 

Antes de mais, é importante clarificar: “Entenda-se por lado emocional a capacidade de eu conhecer e reconhecer as minhas próprias emoções, nomeá-las e depois saber de que forma consigo lidar com elas”, explica a Cátia Pereira, “e isto é importante não só na gravidez”. Claro que este lado emocional se intensifica nesta fase de gravidez graças a dois fatores: primeiro, as hormonas e, segundo, tudo é novidade.

 

Para além disso, às vezes há emoções que, ou não estamos tão habituadas a lidar e, quando elas surgem, vêm tipo tsunami para cima de nós, ou damos de cara com outras emoções com as quais já estamos habituadas a lidar, mas o facto de na gravidez haver hormonas à mistura, parece que fica mais intenso”, esclarece a fundadora da Vínculos Seguros.

 

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O bebé sente as emoções desde o dia zero

Já para clarificar: “O bebé começa logo a sentir as emoções de ambos” – sim, durante a gravidez, o bebé sente as emoções da mãe e do pai. A chave é focarem-se na intenção, no que é mais importante e no que querem a cada momento para cada um, para ambos e para o bebé. E este trabalho emocional durante a gravidez é super importante. Por isso, é essencial que lhe prestemos atenção, em vez de olhar só para as questões práticas da gravidez.

 

Claro que esta consciência emocional e a comunicação entre o casal durante a gravidez pode ser desafiante. Até porque, na maior parte dos casos, podemos dizer que crescemos com pouco vocabulário emocional. Por norma sabemos cinco a dez emoções quando há centenas delas!

 

Portanto, esta é uma fase de trabalho em equipa. Durante a gravidez, há mães que se isolam porque acham que os pais não vão perceber. Por sua vez, há pais que também se afastam porque não estão tão à vontade em falar sobre emoções. Na gravidez é importante existir abertura para perceber que falamos sobre emoções e que as emoções de um são diferentes das emoções de outro. E todas as emoções são válidas. É preciso explorar!

 

Vê aqui o Podcast Espaço Seguro #4: Comunicação no casal durante a gravidez.

 

Na prática, o que é que as grávidas podem fazer durante a gravidez?

Em primeiro lugar, é importante entender as emoções como sensações passageiras que contém informação e, na fase da gravidez, mais do que nunca, é preciso sentir e estar atenta. Sabemos que as emoções são algo que não é palpável. Ou seja, são sensações que acontecem no nosso corpo e que associamos, de acordo com a nossa experiência, a emoções específicas que conhecemos e, por norma, identificamos as que nos são mais familiares.

 

Em segundo lugar, é importante observar em vez de resistir às emoções, especialmente na gravidez, quando, para além da emoção ter impacto na mãe e nas pessoas à volta, tem impacto no bebé. “Quanto mais eu resisto, maior a intensidade, com mais força vem essa emoção”, sublinha a Cátia Pereira e acrescenta: “Muitas vezes, a solução é “eu não quero ver esta emoção, eu não quero sentir tristeza, alegria, não quero sentir dor”…  e isto faz com que a emoção fique mais presente” e, no momento da gravidez, parece que a emoção é intensificada.

 

Em terceiro lugar, é importante assumir a responsabilidade pelas próprias emoções. Afinal, quem é responsável pela emoção é a pessoa que a sente e é também ela a responsável por comunicar os seus limites para uma gravidez mais tranquila para a mãe, o pai e o bebé.

 

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Gravidez: Há limites!

gravidez

Acima de tudo, é essencial não esticarmos a corda, ou seja, evitar tsunamis emocionais. Mais uma vez: isto é importante não só na gravidez, mas também nas fases que se seguem. Na gravidez é importante pelo impacto que esta fase tem no desenvolvimento do bebé, mas também é importante para a fase de pós-parto e para os primeiros anos de vida da criança.

 

Afinal, é muito importante a mãe e o pai se prepararem para a altura em que os filhos começam a verbalizar as emoções. Assim, conseguem dar o exemplo de como os filhos podem descrever o que estão a sentir e ajudá-los a mais facilmente identificarem as emoções.

 

Certamente já deste por ti em momentos em que foste permitindo que ultrapassassem os teus limites e de repente: Já não dá mais, basta! Pois, tsunami! Também durante a gravidez é importante reconheceres os teus limites e comunicá-los de forma clara. Por exemplo, chegas a casa cansada do dia do trabalho, mas não dizes nada. De repente, começas a receber muitas solicitações e empenhas-te em lhes dar resposta… até que explodes! E depois vem a culpa porque sabes que bastaria comunicar: “Hoje sinto-me bastante cansada, será que podem fazer isto?” Ou seja, podias ter sido capaz de reconhecer, verbalizar o estado emocional em que estavas e até ciar um cenário para te ajudar a gerir a emoção.

 

Principalmente na gravidez, treinar esta capacidade de reconhecer emoções e limites e assumir a responsabilidade por eles é fundamental. Como diz a Cátia Pereira, “o convite de conhecimento e reconhecimento das nossas emoções passa por sabermos os nossos limites para não chegarmos a um ponto de exaustão e passa também por assumirmos a nossa responsabilidade pessoal”.

 

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Há responsabilidade!

No contexto das emoções, responsabilidade é reconhecer que as emoções são sentidas por mim, por isso, eu assumo a responsabilidade por elas. Assim, importa perceber que o outro não nos faz sentir uma emoção. O outro pode fazer algo e eu reagir com uma emoção. Ou seja, a emoção é minha. Isto é muito importante porque, quando coloco a responsabilidade no outro, nada se altera. Entra-se numa espécie de loop: vou continuar a lamentar-me, a acusar-te, a culpabilizar-te e fico nisto… à espera que o outro faça algo para lidar com a minha emoção. Stop! Assume a responsabilidade e lembra-te que a gravidez é um excelente momento para o fazeres.

 

Conforme explica Cátia Pereira, “Há o gatilho, mas a emoção é minha. O assumir a responsabilidade é eu saber aprender a gerir a emoção, saber estar com ela, saber reconhecê-la e aceitá-la. É eu saber que não está nada de errado comigo. É eu saber que não sou aquela emoção. Se eu me sinto triste, eu não sou a tristeza”.

 

Assim, olhares para as tuas emoções é vínculo seguro para contigo. Quanto mais te conheces, mais estás em vínculo seguro contigo. E esta ligação passa para o teu bebé durante a gravidez.

 

Vê aqui o Podcast Espaço Seguro #4: Comunicação no casal durante a gravidez.

 

Será que a gravidez é um chamamento para lidar com as emoções?

No fim de contas, somos humanos, sentir faz parte da nossa experiência, por isso o melhor a fazer é olhar para este lado emocional durante a gravidez e sempre! É importante lidar com o que está presente, com a emoção, aprender e pedir ajuda.

 

As hormonas da gravidez talvez sejam um convite para lidar com o lado emocional que antes fomos varrendo para debaixo do tapete. Assim, surge a grande oportunidade para olhar para as coisas como se fosse a primeira vez e aprendermos com elas. Talvez a gravidez traga consigo esse grande chamamento, já que é uma fase interessante de conexão, de rever a educação e viver as emoções que surgem.

 

Em suma, a gravidez é a fase zero para este autoconhecimento emocional que queremos que se traduza na nossa relação com o nosso bebé, mas mais fases se seguem. “Há que ver cada fase como uma preparação para a fase seguinte”, sublinha a fundadora da Vínculos Seguros.

 

Consegues imaginar o que esta consciência emocional pode trazer para o bebé durante a fase da gravidez?

 

Vê aqui o 4º episódio do Podcast:

 

Então e como podemos facilitar a comunicação no casal durante a gravidez (e não só)? Que tipo de desafios surgem na comunicação entre pai e mãe? É sobre isso mesmo que vamos falar no Podcast Espaço Seguro #5: Comunicação de emoções na gravidez.

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